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26 de Fevereiro de 2021
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    França: Protestos contra mudanças na aposentadoria

    Trabalhadores franceses fazem um dia de greve contra aumento da idade para aposentadoria

    Dezenas de milhares de trabalhadores franceses fizeram ontem um dia de greve, com várias manifestações pelas ruas do país. Eles protestaram contra o plano do presidente Nicolas Sarkozy de elevar a idade de aposentadoria, para acima dos atuais 60 anos. Pesquisas mostram que a maioria dos eleitores é contra a reforma.

    O protesto reuniu milhares de trabalhadores em várias cidades. Em Paris, nem a expectativa de forte chuva afetou o comparecimento a um grande protesto convocado, pela primeira vez, pelas oito principais centrais sindicais: Confederação Geral do Trabalho (CGT), Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), União Nacional dos Sindicatos Autônomos (UNSA), Solidários Unitários Democráticos (Solidaires), Federação Sindical Unitária (FSU) e Confederação Francesa de Trabalhadores Cristãos (CFTC).

    Informações iniciais indicavam que os organizadores estavam perto dos números atingidos em outro grande protesto, em 23 de março. Na ocasião, os sindicatos estimaram o comparecimento em 800 mil pessoas, enquanto a polícia contou 350 mil pessoas. "Nós estamos a caminho de alcançar ou passar a marca de 1 milhão de manifestantes", afirmou François Chereque, líder da CFDT, em Paris.

    Segundo o governo, 11,6% dos funcionários públicos estavam em greve ao meio-dia (hora local). Em março, na mesma hora, 17,4% desses servidores estavam de braços cruzados. O transporte público era pouco afetado pela paralisação nacional. Três quartos dos trens regionais e todos os trens rápidos TGV estavam funcionando normalmente, com apenas atrasos menores em alguns trens da capital.

    Os controladores do setor aéreo fizeram paralisações para apoiar o protesto nacional. O Ministério dos Transportes informou que 30% dos voos do Aeroporto de Orly, em Paris, haviam sido cancelados. No Aeroporto Charles de Gaulle, também na capital, o índice de cancelamentos era de 10%.

    Bernard Thibault, líder da CGT, a maior central sindical do país, pediu uma "dia de resistência", em entrevista à rádio Europe 1. Caso a mobilização seja menor que a de março, isso será visto como uma vitória do governo.

    Como boa parte da Europa, a França tenta cortar seu déficit público. O governo argumenta que medidas como reformar o sistema previdenciário e atrasar a idade de aposentadoria ajudarão a controlar a dívida. Muitos vizinhos da França já anunciaram cortes duros nos gastos públicos, mas Sarkozy, que sofre com um recorde de baixa popularidade, tem sido cauteloso.

    Nesta semana, porém, ministros confirmaram que o governo planeja elevar a idade para aposentadoria, hoje em 60 anos. Essa idade é vista pela esquerda francesa como um símbolo das vitórias na administração do presidente François Mitterrand.

    A idade geral para a aposentadoria na França é de 60 anos. Há, porém, vários casos especiais no setor público, para trabalhos considerados mais duros ou para aqueles que começaram a trabalhar na adolescência. Na média, os franceses se aposentam aos 58,7 anos e as francesas, aos 59,5. Na média da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), essas idades são de 63,5 e 62,3, respectivamente.

    Uma comissão do governo concluiu que havia uma diferença entre as contribuições à previdência e os pagamentos aos aposentados de 10,9 bilhões em 2008. Esse rombo tenderia a subir para entre 71,6 bilhões e 114,4 bilhões por volta de 2050.

    (Dow Jones Newswires/O Estado de S.Paulo –)

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